13 março 2012

melodia

“se eu pudesse dar uma melodia á nossa história, ela seria clair de lune - debussy”

na frente do vidro da janela ela suspirou. o vidro frio se encheu do calor que vinha de dentro dela e corou como só os vidros podem corar. ela riu dessa analogia. fechou os olhos e a música inundou seus ouvidos. as lembranças bailaram em seus olhos, e ela via tudo como se fosse uma mera espectadora da sua própria vida que já havia passado. se encheu de saudade e não pode conter o perfume que veio visitá-la. lembrou – se perfeitamente, como se aquela lembrança se materializasse ali. o perfume suave pairou no ar. o sorriso. as mãos que tantas vezes se entrelaçaram em dedos. as pernas que se combinaram perfeitamente, por tantas noites. as vozes. as conversas. os risos. as despedidas.
ela ia embora leve, como se flutuasse. ela odiava ir embora. adorava cada nova volta. sorriu. abriu os olhos e uma paisagem tomou forma do lado de fora. o vidro que outrora corou agora dava espaço á uma imagem leve e uma garoa despretensiosa caia do céu. preguiçosa. suspirou novamente, de propósito, e no vidro acanhado escreveu uma palavra que sumiria dali em alguns instantes, mas que nela estava guardada e nela ficaria por muito tempo.
até que ela mesma a soltasse ou até que se gastasse sozinha, se é que seria capaz de gastar.


"era tudo tão suave e árduo ao mesmo tempo. tantas contradições, e eu dizia a mim mesma que aquilo tudo era apenas um ensaio, na vida, jamais seria real."
                                                                                                                     para P.

Um comentário:

Érica disse...

Se perder nesses momentos e ficar por ali são tão bons ... As vezes o que é vivo e permanece em nós é mais feliz que a realidade ...

Bjs gata sumida