15 julho 2009

.batom

ela contornava os lábios de vermelho sangue – o dele, que fervia nas veias. ele sentou sua indignação na beira da cama, enquanto olhava para ela, respirava pesado, quase chorava. percorria os olhos em cada milímetro do corpo á sua frente, até que chegou á boca rubra. ela fechou o batom e virou-se. caminhou até ele, parou na frente da indiginação em pessoa e sorriu. os olhos dele piscaram desejo, levantou-se. em luta para não ir, empurrado para mais uma vez se perder. respirou fundo. ela mordeu um lado do lábio. naquele instante ele quis morrer, cegar, não olhar pra ela. segurou em sua cintura e a puxou. ela sorriu malícia cruel, tinha o pecado nos olhos. ele a beijou com a força da raiva. despiu sua alma da culpa, o corpo dela das roupas. ao final, como um anjo, ela pousava em seu peito, suavemente bela. no peito dele apenas um borrão vermelho sangue – o dele, que já não fervia nas veias, agora era apenas mais uma marca. a marca dela.

{para Jaya – atendo seu pedido, um pouco atrasado. ouvindo broken social scene.}

5 comentários:

Jaya disse...

Quase uma hemorragia de poesia, moça. Teu texto foi filmado milimetricamente, por mim. Meu dentro, meu fora. Meu tom mais vermelho.

Um marco.

Tantos de beijos. E mais um, pela dedicatória. Rs.

Laura Bourdiel disse...

Textos que me levam à minha loucura particular, não esses que dão mais tempero à minha vida. Ótimo!

¡besitos!

GMartinsS disse...

ousada e deliciosamente lindoO!!
adorei...
minha musa linda!!!

Tertuliano disse...

hum, mas até que enfim uma atualização por aqui, hein!

Bacana o texto, a gente viaja nos múltiplos sentidos...

Ciba disse...

fez um filminho aqui dentro... lindo lindo!

=*