08 fevereiro 2010

uma noite para sair

sobram tantos medos que nem me protejo mais.
sobra tanto espaço dentro do abraço.
falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo.
sei lá se o que me deu foi dado. sei lá se o que meu já é meu.
vai saber o que me deu, quem sabe?
quem souber me salve.
(o teatro mágico – sobra tanta falta)


ainda estava claro, mas a noite se anunciava. convite de sms. vamos, na ligação de resposta. e chegamos. confissões se dissolviam em copos de plástico. ele se confessou e pediu que ela guardasse segredo. ela chorou e pensou que havia muita presunção naquele coração que poderia parar a qualquer momento. sobrava tanta falta naquelas almas disfarçadas de alegria. ele disse que ela parecia feliz. felicidade a gente inventa, ela respondeu. mas a tristeza não. essa se mostra sozinha. e houve um encontro, que já era esperado, mas que se fez tão por acaso que eles fingiram que não se conheciam. ela reclamou para a companhia dele, como pode né? se até semana passada o rapaz do encontro estava lá, na minha presença. ele não entendeu direito. ela explicou sem querer dar muito sentido. ele deixou pra lá. e a noite correu como uma criança que se recusa a dormir quando já é tarde. acabou. o dia deu o ar da graça. um lanche antes de ir. despedida. ele agradeceu pelo convite, ela agradeceu por ele ter vindo. e foram embora com a sensação de terem suas vidas salvas naquela noite. salvas de ficarem tristes sozinhos, quando poderiam estar tristes juntos, e mesmo assim se arrancarem risadas e dissolverem suas misérias da alma em copos de plásticos cheios de cerveja e músicas repetidas de uma banda que faz as pessoas embriagadas sentarem-se no chão sujo de um bar para cantarem e esquecerem de seus próprios medos.

(para Marcos)


[ então ela mostrou seu texto para ele, e ele contou a sua versão: ]


musicas, cervejas, e coisas e palavras memoráveis

sábado!

tarde com muitas sessões de filmes, alguns bons outros péssimos..! resolvo ir tomar cerveja
com uma só certeza, que meu dia seria entediado. lá pelas 19:50, com meu pensamento voando a mil pensando em fazer algo, quando recebo sms num convite tentador e agradável, para uma noite de descontração para este coração afável. muito menos esperava pela noite que se adiantava num ritmo alucinante, conversamos de tudo, de amores passados, felicidades perdidas, dores escondidas.. entre uma cerveja e outra numa fumaça de cigarro.. olhos ardendo mas bem concentrados.
descubro segredos antes não revelados, um pouco amargurados, pois assim me pareceu! pequena luz que me faz feliz a duas semanas, nunca fez idéia de que certa alma necessitava
não deseja nada alem de grandes momentos apenas a ouvindo falar.... senti por um momento que ela tremia, não o corpo mas o coração.. e eu !! que burro, as vezes!! deveria ter me embriagado naqueles pensamentos carnais no qual meu coração se faz refém.
lembro com maior alegria, num momento que deveria ser congelado no tempo aquelas pequenas mãos me tocando na face como se fosse a mão de um anjo, tentando alcançar um pedaço da nossa comida mexicana. quando ouço: “ por que não 4 ou 5 meses por que tudo se resume a sexo”
ali ouvi alguém me pedindo ajuda! mas ainda egoísta como eu sou me fiz de desentendido, covarde e com meu coração ainda ferido deixei que aquele pequeno milagre.. mas singelo milagre... se despedisse de mim num sorriso atordoante e misterioso.

“ abraço, não custa nada mas tem um valor incalculável”
(de Marcos)

Um comentário:

Carolina disse...

consigo te ver nesse instante.
e ver nos seus olhos, seus pedidos pra ele.
essa falta, que sobra...

e a sua coragem em se mostrar pra ele em palavras escritas(muito mais verdadeiras do que qualquer fala), me assusta.

um beijo!!
:)