10 novembro 2010

nalgum lugar

“não sei dizer o que há em ti que fecha e abre/ só uma parte de mim compreende/ que a voz dos teus olhos/ é mais profunda que todas as rosas”
(zeca baleiro – nalgum lugar)


era uma dessas manhãs em que o sol se senta preguiçoso nos quintais e as roupas no varal fazem sombras mal criadas. no fogão a água do café borbulhava e ele distraído espalhava o tédio no pão.

ela entrou na cozinha, os cabelos molhados e o cheiro do banho o fizeram voltar quando um beijo de creme dental estralou na bochecha. um sorriso. dele.

o café coado. as xícaras. os cheiros da manhã, os barulhos das gentes acordando na rua. a manhã entrava pelo dia de uma forma descuidada e ele se colocou a olhar para ela. olhava todos os seus detalhes. a nuca. os ombros. a curvatura das costas marcada na camiseta colada. os braços. os pelos brilhando no reflexo do sol.

ela lavava a louça e um pouco de cabelo foi para os olhos. “tira pra mim?!”. ele levantou-se tirou os cabelos com a ponta dos dedos, escorregou pelo lado do olho, contornou-lhe a boca, passou no pescoço. no caminho de um beijo simples e leve foi dizendo “interessante como você cabe perfeitamente em mim.”

ela fechou os olhos...

o sol ficou preguiçoso no quintal, as roupas bagunçando no varal, a louça pela metade na pia, o barulho das gentes nas ruas e a manhã entrando descuidada pelo dia.

para Henrique C.

7 comentários:

Campane disse...

Uma cena cotidiana, pra mim inexistente, mas muito desejada.

Johnny Nogueira dos Santos disse...

Lindo, suave...

Parabéns pelo blog e pela sensibilidade!!!!!

gabs. disse...

aah, tão bonito o texto (:
e ainda o zecaperfeito aí pra enfeitar *-*

tua sidebar tá lá embaixo, conserta? (:

gabs. disse...

eu não sabia qual era minha resolução,hihi, fui caçar no computador; achei 1024x768 (:

e ela continua lá embaixo :~ tadinha, desprezada, -n
hihi
:*

Jaya Magalhães disse...

Tu, hein? Só tu. Fica sabendo que andei de indicando pro mundo inteiro. É sempre o primeiro blog que me vem à mente, nos últimos tempos, quando me questionam se tenho gostado de alguma coisa que andei lendo. Sei lá, eu nunca cheguei aqui e desgostei.

P., mábêibe, esse conto, esses retalhos, isso tudo eu quis viver igual. Será que dá, um dia?

Saudades tuas.

Dois beijos.

Jaya Magalhães disse...

CADÊ VOCÊ, minha filha?

¬¬

Carlos Howes disse...

Lendo um texto tão rico em detalhes assim envolventes, a rotina fica parecendo algo gostoso. Na verdade, apesar de todos os pesares, ela tem seu encanto, e acho isso fica bem claro aqui.