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27 março 2016

calor...

And now I'm dreaming of you/ Want you, yes I do/ Bet you never knew it/ Think you'd suit me fine/ Want you all the time
(Dreaming Of You - Cigarettes After Sex)


ela usava um vestido branco, desses soltos e de pano fresco, mas que marcam o corpo de um jeito que quase é possível saber o que te espera por baixo dele. fazia muito calor. ela suava e a pele grudando um cheiro doce brilhava na luz rala de sol que entrava pela cortina. seus olhos eram lânguidos e sonolentos. sentou nas minhas pernas, as pernas dela, abertas. um beijo de cigarro e suco de groselha, os lábios quentes. baixei as alças do vestido, os seios firmes, pequenos, os bicos rijos. fazia muito calor e ela quente, molhada, exalava um cheiro doce. eu me perdi em algum momento que não lembro bem e despertei quando ela sussurrou no meu ouvido "pronto. estou satisfeita". levantou-se. o vestido grudado no suor que deixei nela e a pele brilhando espalhava um aroma... respirei fundo. ela sorriu um meio sorriso de malícia. fazia muito calor, eu suava. ascendeu um cigarro, um gole de suco de groselha gelado, um beijo desleixado, silencio. eu suava. eu sorria. o sol entrava pela cortina e fazia muito calor...

10 janeiro 2013

bilhete

"eu nem vi quando você espetou sua casa aqui"
Cícero - ensaio sobre ela

amor, por favor, antes de sair regue as plantas; dê comida ao gato; guarde a louça limpa; abaixe a tampa do vaso para que o cachorro não tome a água da privada; tome seu comprimido; coloque água na forma de gelo; descongele o peixe; recolha a correspondência; recolha as roupas do varal; feche as janelas (a previsão disse que vai chover); pegue a lista de compra; ah! anote na lista de compras: pasta de dente, esqueci; ligue para sua mãe, ela deixou um recado; não esqueça da consulta ás 18:00; não esqueça a carteirinha do convênio.
até a noite.
te amo.

30 dezembro 2012

tormenta

“I wanna see you as you are now
Every single day that I am living
Painted in flames, a peeling thunder
Be the lightning in me that strikes relentless”
(Snow Patrol – What If The Storm Ends)

 
Os olhos. Dela.  Piscavam rápido e olhavam para todos os lados. Absorviam cada cena, cada detalhe. Apesar na impaciência ela respirava devagar, sentindo o ar entrando e saindo, preenchendo os pulmões, lhe dando fôlego.

As mãos dele. Elas passeavam firmes em sua cintura, em seus ombros, em seus seios. Arrancaram sua blusa. Sua saia. Com delicadeza,  sua calcinha e o sutiã. Seguraram seu rosto.

Os olhos. Dele e dela. Se olharam firmes. Ela fechou os seus.

A boca. Dele. Encontrou a boca dela. Um beijo longo, molhado, faminto.
O corpo. Delenodela. Um. Só.

E tudo o que havia por perto evaporou...

13 março 2012

melodia

“se eu pudesse dar uma melodia á nossa história, ela seria clair de lune - debussy”

na frente do vidro da janela ela suspirou. o vidro frio se encheu do calor que vinha de dentro dela e corou como só os vidros podem corar. ela riu dessa analogia. fechou os olhos e a música inundou seus ouvidos. as lembranças bailaram em seus olhos, e ela via tudo como se fosse uma mera espectadora da sua própria vida que já havia passado. se encheu de saudade e não pode conter o perfume que veio visitá-la. lembrou – se perfeitamente, como se aquela lembrança se materializasse ali. o perfume suave pairou no ar. o sorriso. as mãos que tantas vezes se entrelaçaram em dedos. as pernas que se combinaram perfeitamente, por tantas noites. as vozes. as conversas. os risos. as despedidas.
ela ia embora leve, como se flutuasse. ela odiava ir embora. adorava cada nova volta. sorriu. abriu os olhos e uma paisagem tomou forma do lado de fora. o vidro que outrora corou agora dava espaço á uma imagem leve e uma garoa despretensiosa caia do céu. preguiçosa. suspirou novamente, de propósito, e no vidro acanhado escreveu uma palavra que sumiria dali em alguns instantes, mas que nela estava guardada e nela ficaria por muito tempo.
até que ela mesma a soltasse ou até que se gastasse sozinha, se é que seria capaz de gastar.


"era tudo tão suave e árduo ao mesmo tempo. tantas contradições, e eu dizia a mim mesma que aquilo tudo era apenas um ensaio, na vida, jamais seria real."
                                                                                                                     para P.

22 dezembro 2011

bege

"procurando bem todo mundo tem pereba..."
(chico buarque - ciranda da bailarina)


arrisquei uma camiseta
mesmo correndo o risco
de ganhar uma careta.

esse sorriso tímido
não diz muito o que ela quer
mas o desemprenho é
de uma grande mulher.

as vezes ela briga,
fica brava,
e de uma hora pra outra
brinca.

se aparece um desafio ela não foge
mas, se cuida menina,
não se canse muito
dedique-se também a você:
deixe juntar mais cores
ao seu preferido
bege.


para Isabel(a)

22 novembro 2011

sempre

deram as mãos. passaram a caminhar juntos, olhando para frente. ouviam apenas o estalar dos sapatos nas folhas secas. o outono acabara e a primavera dava as caras no tempo, mas ainda havia muitas folhas no chão – com o tempo elas sumiriam por conta própria, esfacelando-se no vento.

“o que você vai fazer agora?” ele perguntou.

“ainda não sei bem. talvez eu me mude. estava pensando na bahia, uma daquelas cidades á beira mar. viver da pesca ou do artesanato.”

“você vai ter paciência?”

“a paciência foi o que mais exercitei neste ano, embora eu a tenha perdido muitas vezes, mas acho que posso coloca-la em prática para viver uma nova vida.”

“ainda vai continuar escrevendo?”

“eternamente.”

“vou ler sempre. prometo.”

“está bem.”

soltaram as mãos devagar, deixando que os dedos se separassem lentos uns dos outros escorrendo para a distância. sabiam que havia chegado ao fim. não o amor, mas a união.

ela continuou andando. ele ficou parado olhando para os cabelos dela se bagunçando no vento fraco, ficando longe, devagar, á passos lentos. ela não olhou para trás. estava decidida. não guardava mais raiva, nem mágoas. queria apenas mudar de ares agora, ver algo realmente novo. não estava disposta a se arriscar, apenas a fazer algo diferente, no entanto, confortável.

ele voltou-se para o lado oposto pondo-se a caminhar. não chorava mais, sentia apenas saudade. não era forte ainda, mas seria...

29 maio 2011

ela e ele (música para o verão)

só eu sei teu nome mais secreto/ só eu penetro em tua noite escura/ cavo e extraio estrelas nuas/ de tuas constelações cruas
adriana calcanhoto - teu nome mais secreto


Era verão e o dia acabara de nascer. Clareou forte e com a promessa de que seria um dia quente e cansativo. Ela abriu os olhos com preguiça e levantou-se cansada, nem parecia que havia dormido bem a noite toda. Abriu uma fresta da janela para espiar o tempo lá fora, não ventava e o sol estava esquentando o dia com crueldade “hoje é dia de derreter na rua” ela pensou. Passou pelo chuveiro devagar, deixou que a água refrescasse bem seu corpo, massageou os cabelos com o xampu novo e gostou do cheiro suave. Embora estivesse calor a água estava morna e tudo se misturava com o vapor, se espalhando pelas paredes, criando uma atmosfera aconchegante.


Lavou-se com detalhes como se estivesse se preparando para alguém. Vestiu-se com delicadeza e perfumou-se com uma sensualidade notável. Poderia conquistar qualquer coisa, estava realmente feliz e nem sabia o porque. Não tinha fome, saiu sem comer nada, mas estava satisfeita e caminhou pela rua com a leveza de quem flutua...

Teria um dia cheio pela frente e mesmo assim não se incomodou. Permitiu-se pode esperar pelo que viria e prometeu a si mesma que nada tiraria dela aquela sensação de que tudo daria certo.

Á noite já deitada enquanto o sono ia lhe fechando os olhos ela sorriu “boa noite meu amor, durma bem...”. Ele a abraçou e beijou seu ombro descoberto. Que sorte a dela de ter um amor de novo... Mesmo o calor suado da noite de verão não era um incomodo.

para o meu amor.

10 novembro 2010

nalgum lugar

“não sei dizer o que há em ti que fecha e abre/ só uma parte de mim compreende/ que a voz dos teus olhos/ é mais profunda que todas as rosas”
(zeca baleiro – nalgum lugar)


era uma dessas manhãs em que o sol se senta preguiçoso nos quintais e as roupas no varal fazem sombras mal criadas. no fogão a água do café borbulhava e ele distraído espalhava o tédio no pão.

ela entrou na cozinha, os cabelos molhados e o cheiro do banho o fizeram voltar quando um beijo de creme dental estralou na bochecha. um sorriso. dele.

o café coado. as xícaras. os cheiros da manhã, os barulhos das gentes acordando na rua. a manhã entrava pelo dia de uma forma descuidada e ele se colocou a olhar para ela. olhava todos os seus detalhes. a nuca. os ombros. a curvatura das costas marcada na camiseta colada. os braços. os pelos brilhando no reflexo do sol.

ela lavava a louça e um pouco de cabelo foi para os olhos. “tira pra mim?!”. ele levantou-se tirou os cabelos com a ponta dos dedos, escorregou pelo lado do olho, contornou-lhe a boca, passou no pescoço. no caminho de um beijo simples e leve foi dizendo “interessante como você cabe perfeitamente em mim.”

ela fechou os olhos...

o sol ficou preguiçoso no quintal, as roupas bagunçando no varal, a louça pela metade na pia, o barulho das gentes nas ruas e a manhã entrando descuidada pelo dia.

para Henrique C.

08 outubro 2010

era só saudade [juventudes]

dia quente
cerveja gelada
roda de amigos
e roupa de algodão.
é verão.
a gente ficando feliz
esquecendo até da violência
que deixa a vida por um triz.
musica boa
conversa pra fora jogada
em alto e bom tom
ele solta uma risada.
lembranças que não temos
dos bons e velhos tempos
da vida que não vivemos
dos preços baixos
das crianças brincando na rua
dos amores que admiravam a lua.

04 setembro 2010

sentimento na palma da mão


sexta, show do mombojó
depois, livraria da esquina
hora de ir embora, deitamos na calçada
cantamos
falamos
rimos
no metrô...
declaração escrita.
sentimento na palma da mão...




Torno sempre a estimular o alcance por novas sensações
Quem agrada não descansa,
Numa imagem uma esperança, sonhos vão passar...
Triste quando alguém desiste e não insiste em acertar
Mesmo quando fico triste tento sorrir
Sinto não ser dos mais saudosistas
Qualquer caminho sou eu...
Eu pensei em deixar você, me livrar da dor e voar
Eu pensei em deixar você, me livrar da dor e crescer
Me livrar da dor...

mombojó - entre a união e a saudade



27 julho 2010

silêncio

a minha alma está calada agora.
eu prefiro assim,
porque sei que ela precisa se concentrar para continuar aqui.

25 julho 2010

heaven and hell

interessante mesmo seria acreditar que tudo realmente dará certo. e que essa fé que eu deveria sentir de fato funcionasse. mas onde está esse deus que tanto dizem para que eu acredite?


“abra seu coração”. não dá, eu não tenho mais. no lugar nasceu uma coisa seca e sem vida. não é coração. é vazio.

e a vida é uma prostituta sádica e ressentida, enquanto ela olha pra mim e ri, meus olhos se enchem de remorso.

eu não choro mais. meus desespero agora é só grito.

11 julho 2010

escritório

quase não saiu, ele precisou de esforçar bastante pra cuspir um bom dia atravessado e cheio de mal humor e por um pouco de segundos não se engasgou porque quase engoliu as palavras emboladas na boca. elas saíram por entre os dentes. e eu pude ver quando ele amarrou os lábios concretando para dentro de si uma série de pensamentos e dúvidas. os olhos reviraram nas órbitas e uma sombra passou por entre os cabelos dele. baixou a cabeça e fingiu estar concentrado na leitura do jornal. só fingiu, porque na verdade não queria estar ali, não com aquelas pessoas, não comigo.


o dia ia correndo, ligações, almoço, hora de ir embora. ele ficou na mesma posição o dia todo. fingindo concentração no papel cheio de letras. mas a verdade de tudo isso é que aquelas tantas palavras se transformavam em viagens lineares, onde ele era o rei, e todas as outras vogais e consoantes eram apenas simples formações rochosas ao longo do caminho.

ele se concentrava para tentar transpô-las.

03 julho 2010

amor

(...)

foi amor.
entre melodias românticas ela datilografava dor. e misturava tudo de forma desconexa, de maneira que na sua visão mais distante as coisas ganhavam cor e as formas movimento.

é amor. desses que saem de dentro, circulam os dedos e trançam as pernas. depois voltam a ser apenas suspiros leves e olhos vazios.

29 junho 2010

inverno

a depressão é a imperfeição no amor. (...) eu pensava que, quando nos sentimos pior, lágrimas jorrassem, mas a pior dor possível é a dor árida da violação total que chega depois de todas as lágrimas já terem se exaurido.
(o demônio do meio - dia: uma anatomia da depressão - andrew solomon [trecho p. 17; p. 23. ed. objetiva. edição de bolso. trad. myriam campello. rio de janeiro. 2010)


ardia dentro dela um frio infantil. desses que começam fracos e vão crescendo sem ser percebidos, rodeando com calafrios e deixando os pelos dos braços ouriçados. ela não havia se dado conta e quando percebeu o frio já tomava o seu peito, todo o peito. atingira o coração tão fatalmente que o trincara, tamanha a força da camada glacial, impedindo qualquer ser humano de chegar naquelas terras, antes, habitadas.


então ela se encolheu toda, mesmo sabendo que não se deve adormecer no frio intenso, sorriu amarelo fechou os olhos e dormiu.

13 junho 2010

#

I live with my frenzied feeding
I live with my hatred
I live with my jealousy
I live with the notion
That I don't need anyone but me
Don't drink the water
There's blood in the water
(dave matthews band - don't drink the water)


era tudo muito bagunçado.
e enquanto ela olhava estrelas mortas brilhando
pensava: será que algum dia haveria de estar lá também?

não que isso fosse necessário,
mas era inevitável não pensar.
 
um dia todos devem morrer. amém.
 
 
(visitei meu antigo bairro ontem, e passando rápido pelo supermercado meu pai descobriu que nossa vizinha na época que morávamos lá havia morrido subtamente de parada cardíaca. o neto dela avisou.)

04 maio 2010

' Larissa '

Eu não penso em ter filhos. Não quero. Mas nesse último final de semana, por alguns instantes, quase mudei de idéia.

Tive em meus braços um bebê. E ao som de “Baú”, do Mombojó, ela adormeceu enquanto eu a ninava. E foi demais sentir a respiração dela, o pequeno peito encontrando o meu, subindo e descendo, sincronizando com a minha. E eu fiquei olhando pra ela, tão suave e tranqüila e o que tinha de mais importante pra fazer era simplesmente dormir.

Mombojó exerce um grande efeito sobre mim e eu não imaginava que também faria em minha afilhada. Principalmente essa música, Baú, que eu adoro.

A questão é: que desde que minha irmãzinha cresceu eu havia esquecido como é maravilhosamente calmante ter uma criança adormecida nos braços. E a paz que elas podem causar na gente, simplesmente pelo fato de dormirem em nossos braços, num misto de confiança e aconchego, como se ali nada pudesse atingí-las e perturbar o sono.

Não costumo escrever sobre minhas coisas, o que faço e tal. Mas nesse último final de semana alguma coisa aconteceu comigo. Eu fui visitar minha madrinha, minha afilhada, a família toda! E voltei de lá com a sensação de que essa criança não poderia ter nascido em outro lugar. E nem de outra mãe.

Eu estou com a sensação que tudo vai dar certo.



Para Larissa.

08 fevereiro 2010

uma noite para sair

sobram tantos medos que nem me protejo mais.
sobra tanto espaço dentro do abraço.
falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo.
sei lá se o que me deu foi dado. sei lá se o que meu já é meu.
vai saber o que me deu, quem sabe?
quem souber me salve.
(o teatro mágico – sobra tanta falta)


ainda estava claro, mas a noite se anunciava. convite de sms. vamos, na ligação de resposta. e chegamos. confissões se dissolviam em copos de plástico. ele se confessou e pediu que ela guardasse segredo. ela chorou e pensou que havia muita presunção naquele coração que poderia parar a qualquer momento. sobrava tanta falta naquelas almas disfarçadas de alegria. ele disse que ela parecia feliz. felicidade a gente inventa, ela respondeu. mas a tristeza não. essa se mostra sozinha. e houve um encontro, que já era esperado, mas que se fez tão por acaso que eles fingiram que não se conheciam. ela reclamou para a companhia dele, como pode né? se até semana passada o rapaz do encontro estava lá, na minha presença. ele não entendeu direito. ela explicou sem querer dar muito sentido. ele deixou pra lá. e a noite correu como uma criança que se recusa a dormir quando já é tarde. acabou. o dia deu o ar da graça. um lanche antes de ir. despedida. ele agradeceu pelo convite, ela agradeceu por ele ter vindo. e foram embora com a sensação de terem suas vidas salvas naquela noite. salvas de ficarem tristes sozinhos, quando poderiam estar tristes juntos, e mesmo assim se arrancarem risadas e dissolverem suas misérias da alma em copos de plásticos cheios de cerveja e músicas repetidas de uma banda que faz as pessoas embriagadas sentarem-se no chão sujo de um bar para cantarem e esquecerem de seus próprios medos.

(para Marcos)


[ então ela mostrou seu texto para ele, e ele contou a sua versão: ]


musicas, cervejas, e coisas e palavras memoráveis

sábado!

tarde com muitas sessões de filmes, alguns bons outros péssimos..! resolvo ir tomar cerveja
com uma só certeza, que meu dia seria entediado. lá pelas 19:50, com meu pensamento voando a mil pensando em fazer algo, quando recebo sms num convite tentador e agradável, para uma noite de descontração para este coração afável. muito menos esperava pela noite que se adiantava num ritmo alucinante, conversamos de tudo, de amores passados, felicidades perdidas, dores escondidas.. entre uma cerveja e outra numa fumaça de cigarro.. olhos ardendo mas bem concentrados.
descubro segredos antes não revelados, um pouco amargurados, pois assim me pareceu! pequena luz que me faz feliz a duas semanas, nunca fez idéia de que certa alma necessitava
não deseja nada alem de grandes momentos apenas a ouvindo falar.... senti por um momento que ela tremia, não o corpo mas o coração.. e eu !! que burro, as vezes!! deveria ter me embriagado naqueles pensamentos carnais no qual meu coração se faz refém.
lembro com maior alegria, num momento que deveria ser congelado no tempo aquelas pequenas mãos me tocando na face como se fosse a mão de um anjo, tentando alcançar um pedaço da nossa comida mexicana. quando ouço: “ por que não 4 ou 5 meses por que tudo se resume a sexo”
ali ouvi alguém me pedindo ajuda! mas ainda egoísta como eu sou me fiz de desentendido, covarde e com meu coração ainda ferido deixei que aquele pequeno milagre.. mas singelo milagre... se despedisse de mim num sorriso atordoante e misterioso.

“ abraço, não custa nada mas tem um valor incalculável”
(de Marcos)